Pai
Amor incondicional
Transformador de sonhos em vida real
Companheiro de sorriso discreto
Não admite, mas é meu mestre
É quem me observa com ternura
Protege de todas as amarguras
E sofre quietinho quando a travessura
É maior que os braços que salvam das arranhuras
Pai
Pra quando eu quiser chorar, ter onde me recostar e ficar confiante
Aquele que diz siga em frente, nos explica que vivemos o presente
e diz que somos todos inocentes
Me faz mirar lá na frente
Querer ser gente grande
Só para lhe abraçar
Afagar os cabelos brancos
deixar provar do carinho que me ensinou ao longo do caminho...
Deixa agora eu lhe cuidar
tratar das arranhuras que a vida provocou
veja que tenho braços fortes
que não sou mais tão teimoso
Aprendi com seu jeitinho carinhoso que é devagar que se vai ao longe...
Renata Rimet
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Ausência Presente
A cena de tão silenciosa chamou minha atenção, o adulto de olhar distante, reflexivo, mudava de posição apenas para confirmar os minutos que passavam, cheguei a contar num espaço de três minutos, repetiu aquele gesto por oito vezes, não entendia se era alguém atrasado para um compromisso, um relógio com problemas, ou sei lá o que...
Na mesma mesa uma criança, um menino de mais ou menos nove anos, enfrentando uma batalha feroz diante de meio litro de refrigerante, batata frita e um sanduiche, que de longe temia presenciar o deslocamento do maxilar a cada tentativa de abocanhar o que lhe parecia o manjar dos deuses...
Começo a buscar semelhança entre os dois seres que ocupam a mesma mesa e se quer trocam palavras ou olhares; percebo que deveria sim existir alguma ligação, muito embora, entretidos em seus pequenos ou grandes universos paralelos, talvez nem se dessem conta...
Algo naquele adulto era perceptível na face do menino, aquele olhar distante, além de um sinal, um pontinho escuro que podia ser notado pouco acima do olho esquerdo, sim, aquele era o sinal...
Realmente existia uma ligação entre ambos, tentava desviar minha atenção daquela mesa, mas o diálogo silencioso que ali era travado ainda precisava dizer-me algumas coisas, e disse...
Aquela compulsão por saber a hora certa é quebrada, o adulto olha para o relógio pela última vez e de repente sorri, vira-se para o garoto e informa que o tempo deles acabou, já estava na hora de devolve-lo a mãe, lembrando que o juiz pediu que obedecesse o acordo, portanto precisava deixá-lo em casa naquele momento, e certamemte no próximo final de semana poderiam se encontrar novamente...
Levantou apressado, pegou o menino pelo braço, que ainda tentava vencer a porção de batatas e saiu em meio a praça de alimentação do shopping, olhei ao redor e tive a triste constatação, existiam muitos outros pais e mães de fim de semana ocupando silenciosamente outras tantas mesas, aguardando a hora combinada.
Renata Rimet
imagem1 http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,38947105-FMM,00.jpg
imagem2 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiebF3cj2D-UCFbfBaESTctN6drLCN06MtIyqYK0kesBXXgDL4FF6WL8IFjhtfm1-Xpi0tCw0QjavYR67Kh9NxC37FfdDY1EwE4eEMs1_g98oWbLpY77Txf8HvKu527SakX-cLKZ2unn8AR/s400/shopalim.jpgimagem
imagem3http://2.bp.blogspot.com/_TdHaQ8y5xp4/SczcYBy49I/AAAAAAAAAh8/9yoaloT8E2E/s400/pai+e+filho.bmp
Na mesma mesa uma criança, um menino de mais ou menos nove anos, enfrentando uma batalha feroz diante de meio litro de refrigerante, batata frita e um sanduiche, que de longe temia presenciar o deslocamento do maxilar a cada tentativa de abocanhar o que lhe parecia o manjar dos deuses...
Começo a buscar semelhança entre os dois seres que ocupam a mesma mesa e se quer trocam palavras ou olhares; percebo que deveria sim existir alguma ligação, muito embora, entretidos em seus pequenos ou grandes universos paralelos, talvez nem se dessem conta...
Algo naquele adulto era perceptível na face do menino, aquele olhar distante, além de um sinal, um pontinho escuro que podia ser notado pouco acima do olho esquerdo, sim, aquele era o sinal...
Realmente existia uma ligação entre ambos, tentava desviar minha atenção daquela mesa, mas o diálogo silencioso que ali era travado ainda precisava dizer-me algumas coisas, e disse...
Aquela compulsão por saber a hora certa é quebrada, o adulto olha para o relógio pela última vez e de repente sorri, vira-se para o garoto e informa que o tempo deles acabou, já estava na hora de devolve-lo a mãe, lembrando que o juiz pediu que obedecesse o acordo, portanto precisava deixá-lo em casa naquele momento, e certamemte no próximo final de semana poderiam se encontrar novamente...Renata Rimet
imagem1 http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,38947105-FMM,00.jpg
imagem2 https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiebF3cj2D-UCFbfBaESTctN6drLCN06MtIyqYK0kesBXXgDL4FF6WL8IFjhtfm1-Xpi0tCw0QjavYR67Kh9NxC37FfdDY1EwE4eEMs1_g98oWbLpY77Txf8HvKu527SakX-cLKZ2unn8AR/s400/shopalim.jpgimagem
imagem3http://2.bp.blogspot.com/_TdHaQ8y5xp4/SczcYBy49I/AAAAAAAAAh8/9yoaloT8E2E/s400/pai+e+filho.bmp
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Verbena, preocupação em pessoa
Se um filho demorasse a chegar, lá estava ela, ligando para o colégio, afim de saber o motivo da demora, se algo havia ocorrido, pois seu objetivo era assegurar que os entes queridos estivessem bem...
Se era tarde e o marido não atendia ao celular, não mais conseguia dormir, o pensamento de que algo ruim poderia ter ocorrido tirava-lhe o sono, tornando a espera por notícias um verdadeiro martírio, finalizado apenas quando ouvia o tilintar das chaves próximo à porta, esta era a senha para finalmente uma noite ou algumas horas de sono tranquilo, afinal, filhos e marido estavam bem...
Segue a rotina de dona Verbena, desta vez é ela quem esta na rua, na pressa de chegar em casa, pega uma condução lotada, pois não poderia ser diferente, ela estava preocupada com os filhos, se estariam bem em casa, se haviam jantado, e outras preocupações dignas das mães... quando percebe que o seu ponto foi pedido, mas o condutor apressado, só parou no próximo...
Dona Verbena se vê aflita naquela situação, sozinha na rua escura e deserta, pensa nos filhos, no marido e imagina quantas vezes eles já passaram por tal situação... e agradece a Deus por ter ouvido sempre suas preces e os protegido.
Segue aquela trilha escura e solitária, precisa ser rápida, pois o local é perigoso... De repente, dona Verbena é segura pelo braço, um homem estranho exige a bolsa, o susto é tanto que ela reage, tenta um grito, abafado por um único e derradeiro tiro, leva seus pertences, ignora sua mão estendida pedindo socorro. Nos seus últimos momentos lembra da família, pede a Deus que continue a protegê-los, mesmo agora, na falta de suas preces...
"Quem?" Contos Selecionados - Outubro de 2009
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